quarta, 19 junho 2019

Artigo de Opinião - J. Coelho Bação - A TRAGÈDIA DOS TRAJES

IMG 1719Da minha varanda observava grupos a desfilar, na avenida onde resido, em direção a um palco, cujos espaços eram preenchidas por personalidades representantes da cidade. Nada me surpreenderia, não fosse ter reparado num grupos de senhoras representando o Alentejo

A TRAGÈDIA DOS TRAJES                                                                             

Da minha varanda observava grupos a desfilar, na avenida onde resido, em direção a um palco, cujos espaços eram preenchidas por personalidades representantes da cidade. Nada me surpreenderia, não fosse ter reparado num grupos de senhoras representando o Alentejo, com trajes bem carregados de ceifeiras dos anos quarenta, que esperaram praticamente quase uma hora que chegasse a sua vez, para desfilarem junto ao palco, e ser julgada a sua a atuação. Duas coisas me impressionaram negativamente: A primeira é não entender o sacrifício e a utilização desta gente, que já tanto sofreu, para gaudio de sabe-se lá de quem, com que finalidade e apoiado em que princípios. A segunda foi ter-me impressionado bastante ao vê-las, de inverno ao frio esmagadas com trajes, que representam dramáticos tempos de sofrimento e desrespeito. Olhava para o grupo, que estava próximo, e percebia-as inquietas e apequenadas ao peso da armadura, que serviu a outras gerações de proteção. Os tempos são outros, as tecnologias vieram substituir, a dramática intervenção humana e as pessoas não podem apresentar rigidez, mas ser flexíveis no seu comportamento e entendimento. A história regista e não apaga, mas no presente não se devem carregar fardos negativos, muito menos quando se canta.

Lembrar agora este episódio não teria muito sentido, se não tivesse assistido ao desfilar de um grupo feminino da granja, creio que dia 18/6, que se apresentou muito liberto e até com positivo gesto social. Para além do equipamento festivo e alegre o grupo não só não olhou para trás como se inclinou todo para a frente integrando jovens de talento que no presente, preparam o futuro. É comovente ver o gesto afetivo das mais veteranas colocando seus braços sobre os ombros das jovens em sinal de apoio e proteção fraterna. O concelho representado na pessoa da sua presidente e do seu vereador da cultura apoiaram este evento cultural e muito bem, quando em liberdade as ações ultrapassam a etiqueta e se plasmam na ética dos comportamentos. 

Cada um cumprindo a sua missão assegura a continuidade da vida, que para todos é transitória, em tempo diferente.

Do Autor:

J. Coelho Bacão         

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